Narrativas pessoais e tipos míticos de defesa:

estudo de casos sobre a sobrevivência no trabalho

  • Aurélia Pliego de Melo Professora das Faculdades Integradas Simonsen - RJ
  • Isabel de Sá Affonso da Costa Universidade Estácio de Sá – MADE/UNESA
Palavras-chave: Trabalho. Modelos de sobrevivência. Aprisionamento psíquico. Narrativas. Instituições de Ensino Superior – IES.

Resumo

O artigo apresenta resultados de pesquisa que analisou a realidade de trabalho dos empregados administrativos de uma instituição de ensino superior (IES) do Rio de Janeiro, tendo como referencial teórico os modelos de sobrevivência psíquica propostos por Thiry-Cherques (2004): Golem Laborioso; Kafka Assalariado; Weber Profissional; Maquiavel Funcionário e Borges Inspetor. Os modelos explicitam como os trabalhadores articulam suas estratégias de sobrevivência a fim de conseguirem sobreviver psicologicamente às pressões do trabalho e aceitá-las de forma tolerável, ao construírem suas narrativas pessoais. Utilizou-se abordagem qualitativa em um estudo de casos múltiplos, envolvendo oito participantes da área administrativa da IES. Reuniram-se evidências por meio de entrevistas semiestruturadas, aplicação de questionário de frases evocadoras, observação direta e pesquisa documental. Predomina entre os participantes a adesão ao sistema, traduzida em adesão às normas organizacionais, gratidão e orgulho, típicas do modelo Golem Laborioso. Trajetórias pessoais e perfil social dos participantes contribuem para o resultado encontrado.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

ALVESSON, M.; WILLMOTT, H. Identity regulation as organizational control: produc-ing the appropriate individual. Journal of Management Studies, v.39, n.5, p.619-644, 2002.
BENDASSOLLI, P. F. Críticas às apropriações psicológicas do trabalho. Psicologia e Sociedade. v. 23, n. 1, p.75-84, 2011.
DEJOURS, C. Conferências brasileiras: identidade, reconhecimento e transgressão no trabalho. São Paulo: Fundap: EAESP/FGV, 1999.
________. A banalização da injustiça social. 7a.ed. Rio de Janeiro: FGV, 2011.
ENRIQUEZ, E. A organização em análise. Petrópolis: Vozes, 1997.
FREITAS, M. E. A questão do imaginário e a fronteira entre a cultura organizacional e a psicanálise. In: MOTTA, F.C.P.; FREITAS, M.E. (Org.). Vida psíquica e organizações. Rio de Janeiro: FGV, 2002, p.41-73.
GAULEJAC, V. Gestão como doença social: ideologia, poder gerencialista e fragmentação social. Aparecida, SP: Ideias & Letras, 2007.
HACKMAN, J.; OLDHAM, G. Development of job diagnostic survey. Journal of Applied Psychology, v.60, n.2, p.159-170, 1975.
MENDES, A. M. Psicodinâmica do trabalho. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2007.
MORGAN, G. Imagens da organização. São Paulo: Atlas, 1996.
PAGÈS, M. et al. O poder das organizações. São Paulo: Atlas, 1987.
SILVA, M.C. Sobreviver ao trabalho: narrativas míticas na realidade organizacional. Dissertação (Mestrado em Administração e Desenvolvimento Empresarial(MADE)/ Universidade Estácio de Sá. Rio de Janeiro, 2013.
SILVA, M.C.; COSTA, I.S.A Sobreviver ao trabalho: narrativas míticas na realidade organizacional. Revista de Administração da UNIMEP, v.3, n.1, jan./abril, 2015. THIRY-CHERQUES, H.R., Modelos de Sobrevivência como meios de contra- colonização em processos produtivos. Tese (Doutorado em Engenharia da Produção) – Programa de Pós-Graduação de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro/UFRJ. Rio de Janeiro, 2000.
_________ . O golem laborioso. Organizações & Sociedade, v.9, n.25, p.143-61, 2002.
______ . Sobreviver ao trabalho. Rio de Janeiro: FGV, 2004.
WOOD JR., T. Organizações de simbolismo intensivo. RAE, v.40, n.1, p.20-28, 2000.
Publicado
2019-10-29
Como Citar
Pliego de Melo, A., & Costa, I. de S. A. da. (2019). Narrativas pessoais e tipos míticos de defesa:. Revista Vianna Sapiens, 10(2), 30. https://doi.org/10.31994/rvs.v10i2.602